São asas que me trazem de volta, as de criança. Vou ser guiado pelas cabeças ilimitadas e olhar para trás toda vez que elas descansarem ao meu colo, por que sou seu protetor e aprendiz.
Trago também o sonho na mochila, do conhecimento e meditação, para chegar além do meu destino, com humildade de quem pode. Quero ultrapassar meus limites terrestres, por onde posso ir. Já fui alado e escolhi meu caminho, essas asas foram cortadas quando eu cresci, adulto. Agora eu decido, mas gosto de pegar carona e voar com quem tem esse poder. Por que, nessa idade, não precisa de razão pra sorrir, nem se preocupar. Por isso estou aqui. Para passar do ar as águas, para perder as asas e ganhar a vida.
No meio da jornada existe uma divisão de rios. Flutuo do escuro ao dourado, esse é maior de todos. Ele atravessa cidades e florestas, para trazer esperança, para trazer as crianças, para me levar.
Conheço o tempo e o costume, me torno essência do lugar. Mas isso me traz de volta, um modo atrás, uma vida nova, uma velha vida. O mesmo de sete anos. E a estrutura muda, se adapta ao social, esquecendo do brilho da água e o verde que cerca. Ninguém olha para o céu.
Já é fácil, passou dias, horários novos, mesma rotina. Muito fácil, respeito inútil, cegueira fria, feições e gestos. O poder ilusório de outra categoria, espírito fraco, vai te confundir. Esconder o motivo e o acaso, longe de seu olhar simplório.
Até que acaba a chance, esgota a memória e os últimos grãos vêm descendo em expectativa e curiosidade, que aumentam o aproveitamento e a vontade de agradecer, de olhar diretamente, gravar a imagem.
Mais um barco, muitas redes, pensamentos decisivos e a tristeza da partida. Só que nada daquilo é cotidiano, o destino chega rápido e o caminho nos distrai. Ainda se passa de um plano a outro e de um meio e de uma cidade a outra. No mesmo estado, distante, difícil de encontrar. Longe, na mesma mata, na beira de um rio, entrego os meninos, me despeço e chego em casa.
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